domingo, 15 de janeiro de 2012

O PODER CRIADOR DA FÉ


O PODER CRIADOR DA FÉ



Cada um de nós é uma célula num corpo comum.

Quando decidimos criar, ativamos a Divindade que há dentro de nós, nossos movimentos afetam e influenciam o todo. Mas até sabermos realmente isso num nível celular, o nosso compromisso com o próprio despertar permanece um ato de fé.

A fé é uma das forças mais poderosas que está sob o nosso comando. Tudo aquilo em que temos fé é também aquilo em que acreditamos — e a crença é a base da nossa realidade. Quaisquer que sejam as nossa ordens seladas, a nossa fé revela-as para nós.

Ter fé significa que estamos assumindo a responsabilidade pelas nossas escolhas e que estamos atentos à nossa orientação interior.

Uma das pessoas mais bem dotadas do poder de cura e um dos melhores mestres que eu conheço mora no campo, no limite do subúrbio de uma pequena cidade do Mississippi. O lugar é realmente afastado. Ele foi orientado para ir até lá, vindo de um Estado muito distante, e agora pessoas de todo o país vão procurá-lo.

Uma vez, estivemos conversando durante horas e eu deixei escapar, num momento de entusiasmo: “Você deveria estar fazendo cursos e palestras em toda parte.”

Ele sorriu para mim delicadamente e disse: “Oh, não, querida; a minha tarefa é esta.”

A fé nos conduz passo a passo até a nossa tarefa.
A sua tarefa neste mundo é unicamente sua.

Os outros podem encorajá-lo, inspirá-lo ou espelhá-lo, mas ninguém — nem o médium mais brilhante, nem o melhor mestre espiritual — pode lhe dizer o que é bom para você.

Eu me lembrei disso anos atrás quando ouvi um especialista falar sobre stress, o dr. Hans Selye. Ele disse que, se uma tartaruga for obrigada a correr como um cavalo de corridas, isso é estressante; mas que, se um cavalo de corridas for obrigado a diminuir a marcha até o passo da tartaruga, isso é igualmente estressante.

Eu tive vontade de correr até o palco e abraçá-lo. Em toda a minha vida, fui aconselhada pelos outros a diminuir o ritmo, mas a minha orientação interior sabia que o controle do meu barco não estava programado para acompanhar o passo de uma tartaruga. Acho que foi a primeira vez em que realmente aceitei o meu ritmo.

Assim que começamos a prestar atenção naquilo que está acontecendo no nosso ambiente, começamos a ver que o universo está nos dando todos os tipos de pistas a respeito do caminho a seguir.

Se acreditamos no amor e estamos firmando um compromisso de sermos amor, há uma grande chance de que o universo nos envie trinta pessoas que não amamos, uma atrás da outra.

Nosso compromisso: amar essas trinta pessoas.

Muitas vezes, pedimos a Deus para nos ensinar, mas quando a lição chega, dizemos que tínhamos em mente algo que exigisse de nós um pouquinho menos. Ou então ela passa acima de nossas cabeças porque não estamos atentos.

Depois de fazer um curso intensivo de dois anos sobre espiritualidade nas montanhas, voltei à cidade repleta de visões interiores e esperando mais. Porém, todas as vezes em que me descuidava, meu tempo e energia eram dominados pelas preocupações materiais.

Eu estava tão ocupada organizando cursos e dando consultas que freqüentemente sentia que havia pouco tempo para as minhas práticas espirituais.

Finalmente, prestei atenção a algumas pistas e elas estavam presentes em todo lugar. O número da minha nova conta bancária, o número da minha casa nova, a chapa do meu carro e o meu novo número de telefone acabavam todos resultando no número 4.

Quatro é o número da manifestação física. Claramente, aquela não era uma época para novas inspirações — era um período para ancorar as visões interiores no mundo físico.

É bom lembrar aqui a história do homem que ficou preso numa enchente e não se preocupou porque achava que tinha fé. Então, assim que as águas começaram a subir e um motociclista apareceu oferecendo-lhe uma carona até um certo lugar seguro, ele recusou, alegando que tinha fé que Deus o salvaria.

As águas subiram e logo chegou um homem com um barco a remo. Ele também o deixou ir embora. Deus o salvaria; ele tinha fé.

Finalmente, foi forçado a ficar de pé no telhado de sua casa. Logo, um helicóptero passou voando e o piloto gritou para ele que ia jogar uma corda para levá-lo até um lugar seguro. Novamente, ele declinou da oferta, declarando sua fé na proteção de Deus.

Bem, ele morreu. E estava furioso. Quando chegou ao céu, pediu para ver a Deus e começou a reclamar dessa afronta à sua fé.

Então Deus retrucou: “Eu realmente não entendo o que saiu errado. Mandei um motociclista, um bote a remo e um helicóptero pegar você.”

Quando nos comprometemos com a fé, invertemos o nosso fluxo de vida do controle do ego para o controle do divino, e coisas “impossíveis” começam a acontecer.

Acontecem todos os tipos de coisas que parecem improváveis. As portas se abrem como por mágica. As pessoas certas aparecem sincronicamente na nossa vida. Aprendemos até mesmo a nos preocupar menos.

Uma de minhas amigas reage às preocupações sobre as dificuldades que podem vir a surgir dizendo: “Isso é problema de Deus. Eu apenas atuo aqui.”

Com a fé, as sincronicidades tornam-se um modo de vida.

Como diz o livro A Course in Miracles [Um Curso em Milagres], “Não há grau de dificuldade nos milagres. Um não é mais difícil nem maior do que outro. Eles são todos iguais”.

A fé não pode ser falsificada. Ela não é a mesma coisa que o risco calculado. Não é uma idéia que podemos simplesmente experimentar para ver se serve e depois descartar. É um processo diário de reeducação de cada célula duvidosa do nosso corpo até que todo o nosso ser esteja vivendo na fé.

As dúvidas realmente surgem. Mas, em vez de nega-las, aprendemos a utilizá-las para descobrir a que é que ainda estamos nos apegando. Freqüentemente, nossa fé é esticada até ficar demasiado fina porque estamos nos agarrando a idéias antiquadas sobre o que é bom e o que é ruim.

Quando alguém se compromete com a fé, não é incomum ver essa fé testada até o limite máximo. A fé é opcional quando tudo está correndo dentro dos planos.

Mas a fé é sempre forjada no cadinho da confusão e da dúvida. Durante esses momentos, a psique pode mergulhar em lugares escuros e temíveis onde nenhuma fé existe.

Anos atrás, eu me lembro de ter acordado no meio da noite com um frio terrível no plexo solar e a mente questionando repentinamente se tudo aquilo em que eu acreditava não estava errado.

Tentei rezar. Nada. Tentei meditar. O que quer que eu fizesse, não conseguia ter visões interiores, nem conforto, nem alívio, e não recebia nenhuma resposta do Espírito. Fiquei zangada com Deus, tentei negociar — a história de sempre. Nada.

Finalmente, eu simplesmente me entreguei e deixei que a escuridão fosse o que era. Deixei de lutar contra ela. E da escuridão emergiram todos os tipos de coisas que eu estava escondendo, questões que eu pensei que pudesse deixar de lado.

Mais uma vez, o universo estava me fazendo lembrar que não podemos ter só um pouquinho de fé, assim como também não podemos estar só um pouquinho grávidas.

Quanto mais eu me permitia encarar a escuridão e aceitá-la, mais a Luz penetrava nela. Eu aprendi a assegurar que o Espírito estava se movimentando naquela escuridão, mesmo que eu não pudesse vê-lo no momento.

Não é sempre fácil fazer nascer a fé. Porém, assim que o fazemos, ficamos imaginando como é que atuávamos antes. A fé libera nossas capacidades e relacionamentos da tirania da manipulação.

O salto é aceitar que a vida de uma pessoa tem um plano e que qualquer coisa ou qualquer pessoa que atraímos para dentro dessa vida, em determinado momento, tem um propósito nesse plano, mesmo que não sejamos capazes de ver nenhum encanto ou nenhuma razão para isso no momento.

Uma vez, fui levada a abrir mão de uma parte substancial da minha renda para dar o próximo passo na minha jornada. Meu ego não gostou nada disso porque não conseguia ver como eu poderia sobreviver. Naturalmente, eu tentei primeiro manipular os acontecimentos do modo como achava que estaria salva e protegida. Nessa altura o meu medo, e não a minha orientação interior, estava ditando as regras.

Durante uma meditação, eu vi uma imagem de mim mesma balançando num trapézio enquanto outro trapézio vinha na minha direção. Ficou claro que eu deveria largar um trapézio para pegar o outro. Também estava claro que haveria um momento de queda livre em que eu não estaria segurando nenhum dos dois trapézios.

Eu sentia meu plexo solar afundar enquanto perguntava: “E se eu cair?”

E a resposta veio: “Se você confiar na lei humana e cair, então vai se machucar; se confiar na lei de Deus e cair, sempre será apanhada por uma rede dourada.”

Desde então, eu tive de largar muitos trapézios de segurança e descobri que isso é sempre verdade. As soluções, o apoio, o dinheiro, as pessoas, as oportunidades — tudo sempre chega em algum lugar durante a queda livre.

Nada chegou quando o meu ego pensava que algo deveria chegar. E o que chegou raramente assumiu a forma que minhas idéias preconcebidas inventavam. Mas eu sempre vi em retrospecto que as coisas chegam perfeitamente cronometradas e embaladas para presente.

Eu gostaria de contar uma experiência que enfatizou isso para mim.

No fim de 1987, recebi um cheque que eu pretendia utilizar para pagar minhas despesas enquanto escrevia este livro. Em vez disso, entrei em longo processo de dor física que me tornou incapacitada por cinco meses.

Sem poder trabalhar e com o meu corpo apresentando sintomas misteriosos que ninguém conseguia diagnosticar, eu realmente tive de abandonar tudo, menos a minha fé.

Todos os dias, e até mesmo a toda hora, eu afirmava que só existia Deus. Eu sentia que, se reconhecesse que havia qualquer outro poder, perderia a minha fé.

O dinheiro que eu tinha recebido durou todo esse período. Porém, mais importante que isso, as pessoas entraram na minha vida da maneira mais espantosa. Não só minha mãe estava disponível, mas também duas amigas estavam num período de mudança de emprego (o que, por si só, já é uma grande “coincidência”) e literalmente assumiram as intermináveis tarefas que a vida diária exige e a doença acentua.

Elas cozinharam, limparam, foram ao banco, às compras, ao médico. Tornaram-se minhas enfermeiras, secretárias, massagistas, apoio em todas as situações. Outra amiga, que é um anjo, e que eu só conhecia superficialmente até então, apareceu. Ela estava fazendo pós-graduação numa universidade local e abriu mão do seu tempo livre para assumir numerosas tarefas que persistiram por mais de um ano enquanto eu recuperava lentamente a saúde.

Durante todo esse período, todas as vezes em que havia uma necessidade, ela era atendida. O dono da editora estava preocupado comigo, não com o prazo da entrega. O editor nunca me pressionou.

Quando os compromissos com a casa nova me aprontaram uma surpresa financeira, um amigo estava lá para ajudar.

Quando a dor era muito forte, havia sempre por perto alguém capaz de curar. Durante a ocorrência dos meus estranhos sintomas, o médico foi cuidadoso, intuitivo e gentil.

Quando eu estava quase me desencorajando, chegava uma carta de consolo. Muitas vezes, nesse período, recebi cartas de pessoas de diferentes lugares do país, e até mesmo de outros países, que não tinham idéia de que algo estava errado, mas que estavam preocupadas e sentiam a necessidade de escrever. Várias haviam sonhado comigo.

Minha intenção não é enfatizar tudo o que aprendi durante essa fase. Essa foi uma aula importante e rica, cheia de lições a respeito de receber e de se entregar, a respeito de gratidão e compaixão.

Mas, acima de tudo, ela me deu um banho com afirmações de fé. As lições que eu estava escalada para viver não poderiam ser evitadas, mas eu recebi tudo o que era necessário para me apoiar durante esse processo.


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As 7 Etapas de Uma Transformação Consciente, p. 197
Fonte: Blog Meu Melhor Modo de Ser
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LUZ!
STELA

Um comentário:

Lucélia Muniz França disse...

Linda mensagem!!! Eu estava precisando ler algo assim!!! Grande abraço!!! Uma semana abençoada!!!